Drª. Hercy Santos

    Homeopatia

    Conversa com o Homeopata



    - O que é Homeopatia?
    É uma especialidade médica que trata a pessoa pela lei dos semelhantes (Simillia simillibus curantur).
    Homeos = semelhante e Pathos = moléstia.
    É o método de tratar estimulando, as defesas do organismo, com fatores semelhantes à causa da doença.



    - Qual a diferença entre homeopatia e os outros métodos de tratamento?
    Vamos fazer uma breve viagem na história, como base para nosso entendimento.
    1. Medicina tradicional Chinesa – os registros escritos tem cerca de três mil anos, tem com base manter o equilíbrio do QI, através da fitoterapia, exercícios e acupuntura.
    2. Hipocrates (450 a.C), é considerado o pai da medicina ocidental, e deixou dois Princípios de tratamento: a) Semelhante cura semelhante (Simillia simillibus curantur) e b) Contrário cura contrário (Contraria contrarius curantur).
    3. Galeno levou adiante o tratamento pelos contrários = Alopatia.
    4. Samuel Hahnemann (1786) resgatou o conhecimento do tratamento pelo semelhante.
    Todas estas terapias possuem seus métodos que devem ser seguidos rigorosamente para evitar danos ao paciente (iatrogenia).

    - Como foi que Hahnemann percebeu este método de tratar?
    Ao fazer a tradução de um artigo de Cullen em 1790, onde foram descritos propriedades da Cinchona officinalis,ou quinina, utilizada no tratamento da malária. Quando se fazia uso abusivo nas pessoas, desta substancia, sintomas parecidos com a malária apareciam. Hahnemann achou que isto poderia ser o que Hipócrates tinha referido como tratar por estímulo semelhante aos sintomas do paciente. Passou a experimentar em si mesmo a quinina, provocando os sintomas do estado febril. Depois de muitas experimentação, desenvolveu os princípios da Homeopatia, que tem como base suas palavras:
    “Para curar uma enfermidade, é mister administrar um remédio que produza no indivíduo são a enfermidade que se quer curar’.



    - A Homeopatia também é usada para tratar animais?
    Sim, o próprio Hahnemann fez experiências em animais, e disse ao curar seu próprio cavalo: “se as Leis que proclamamos são da Natureza, elas serão válidas para todos os seres vivos”. A Homeopatia em Veterinária, teve início com o próprio Hahnemann.



    - O que existe nos seres vivos que faz a Homeopatia funcionar?
    A vida do corpo é a somatória de vários mecanismos físicos e químicos, resultantes de uma programação própria de cada espécie. A regência destes mecanismos é feita pela Energia Vital para a manutenção da vida. Quando morremos não temos mais Energia Vital, o processo químico da decomposição não corresponde a Energia que mantinha a vida.



    - O que isto quer dizer?
    Isto significa que o homem não pode ser visto como uma máquina, ou reações químicas aleatórias. A corrente filosófica chamada de Vitalista, que acredita em uma força, além da química até agora conhecida, chamada Princípio Vital, que conduz todos os fenômenos biológicos para a manutenção da vida, no funcionamento harmônico de todos os seus órgãos e sistemas.



    - E o que é a doença?
    É o mecanismo que a energia vital encontra para manter a vida. Se entrarmos em contato com um agente patógeno, o organismo reagirá sempre no sentido de preservar a vida. Produz secreções, febre e outros sintomas, sempre para manter a vida.



    - E se o fator agressivo for muito forte?
    Sempre a energia vital defenderá a vida, mesmo que leve a uma disfunção de um órgão ou sistema, não ocorrerá um funcionamento normal, harmônico, mas a vida como um todo é preservada.



    - É isso o que diferencia a doença aguda da crônica?
    Exatamente, nas doenças agudas o organismo se recupera totalmente. Entretanto, se a Energia Vital não for forte o suficiente para enfrentar aquele fator agressivo ( em homeopatia permaneceu e termo noxa), haverá alterações na morfologia e/ou funcionamento do organismo, e isto é a doença crônica, o funcionamento do organismo já não será harmônico, mas é a melhor forma de se manter a vida diante daquela circunstância.



    - Pode explicar melhor a diferença entre doença aguda e crônica?
    Se uma pessoa tem uma fratura óssea, por exemplo, o médico só vai posicionar as terminações ósseas no local certo, imobilizar para que não saia do lugar, e vai deixar que a Energia Vital atue restaurando completamente a fratura. Se, entretanto não houver socorro inicial, a fratura vai se consolidar de uma forma não anatômica, deixando seqüelas, mas a Energia Vital sempre fará que a vida, o organismo como um todo seja preservado, mesmo que fique impossibilitado de andar, por exemplo, ou que fique com uma dor crônica. Chamamos doença aguda àquela que o restabelecimento foi total, ou se a noxa (fator agressor), for muito forte e não houver possibilidade da Energia Vital enfrentá-lo, ocorrerá à morte. Nas doenças crônicas a Energia Vital ainda pode enfrentar a noxa, mas não tem força suficiente para um restabelecimento completo. Uma dor crônica pode aparecer tempos depois da cicatrização da fratura, por ter ficado alteração postural.



    - E qual a importância disso na Homeopatia?
    Na época de Hahnemann, não se conhecia vírus, bactérias, etc. para explicar as doenças crônicas ele raciocinou nos conhecimentos da época. Denominou a fase que se encontra uma doença crônica através de termos gregos, são os miasmas.



    - Pode explicar melhor o que são esses miasmas?
    Os miasmas classificam a doença crônica de acordo com os sintomas que se manifestam.



    - Como ele classificou as doenças crônicas?
    Chamou de miasma a resposta orgânica para a agressão (noxa).
    Denominou de psora latente, ou não manifesta, aos potencias de resposta do organismo para responder a agressão.
    Quando a agressão ocorre, ele classificou o miasma em 3 tipos:
    1. Psora manifesta
    2. sicose
    3. sifilinismo.



    - Como são as manifestações destes miasmas?
    A psora manifesta seria só o hiper-funcionamento de uma função. Por exemplo, na rinite alérgica a pessoa pode ter hipersecreção nasal, há uma função normal que fica exacerbada dando sintoma de que algum fator alérgico esta presente.



    Na sicose o organismo tem que se defender causando hipertrofia tecidual. Por exemplo, se um vírus atinge a pele, se não ouve cura total ou morte (doença aguda), poderá ocorrer hipertrofia na pele no sentido de afastar o agressor, como uma verruga, por exemplo.



    No sifilinismo Hahnemann considerou os processos em que há lesão tecidual. Se uma bactéria acomete a garganta, e o organismo tem necessidade de produzir processo inflamatório com destruição de mastócitos, produção de secreção purulenta na tentativa de eliminar aquela noxa, isto será uma resposta sifilínica.



    Na resposta sifilínica o agente da sífilis tem que estar presente?
    Não, a denominação foi dada por analogia às doenças mais freqüentes na época. Psora manifesta ele fez analogia com a sarna, onde o prurido seria um mecanismo de defesa do organismo, mas sem hipertrofia ou lesão tecidual.



    - Estes mecanismos de defesa são só orgânicos?
    Não as reações emocionais as agressões também recebem a mesma classificação, na homeopatia olhamos o indivíduo como um todo. Se uma pessoa tem tontura e fica preocupada com isso, são sintomas dentro da psora manifesta. Se a tontura for causada por um tumor benigno no cerebelo, o estádio da doença já passa a ser sicótico. Geralmente o emocional também muda de uma simples preocupação para uma angustia que impulsiona a pessoa a tratar-se. Se a causa da tontura for por lesão tecidual do cerebelo, levará naturalmente a pessoa a emoções mais fortes, podendo até levá-la ao suicídio em decorrência a um forte medo da doença.
    Quando adoecemos este desequilíbrio é mental e somático, quando realizamos o tratamento homeopático ocorre a melhora do ânimo físico e mental. O conceito de saúde é bem mais amplo do que a simples retirada de sintomas, o objetivo deve ser a cura.Não adianta tratar o físico se emocionalmente a pessoa não tem sensação de bem estar, e estar apta para cumprir suas funções.



    - E se não for possível tratar tudo?
    Neste caso a homeopatia classifica a doença como incurável. Uma artrose, por exemplo, pode já estar numa fase incurável, o tratamento será paliativo e visando retardar a evolução da doença. O sofrimento da dor e a mobilidade articular serão só aliviados.



    - E como vamos tratar o paciente ?
    O fundamental é fazer o diagnostico correto e decidir se aquela patologia deve ser tratada só com homeopatia ou se precisa de outros procedimentos concomitantemente. No câncer, podemos estimular a Energia Vital do paciente, para que tenha suas próprias defesas exacerbadas, e ao mesmo tempo realizar a cirurgia, quimioterapia, radioterapia, etc.
    A resposta ao tratamento vai depender do diagnóstico correto e da boa indicação terapêutica, por isso alguns tratamentos são realizados em equipes multidisciplinares. Um paciente com câncer pode necessitar de um apoio psicoterápico, de tratamento fisiátrico, além de uma simples cirurgia.
    Em muitas patologias o tratamento homeopático pode levar à cura. Para isso temos que saber fazer uma boa anamnese homeopática, saber consultar repertórios e matérias médicas.



    - O que são o repertório médico e a matéria médica?
    São livros, ou programas de computadores, onde podemos fazer a analogia dos sintomas da doença com os sintomas que os remédios desencadearam na experimentação terapêutica (patogenesia).
    Na matéria médica estão compilados os sintomas que apareceram nas pessoas que experimentaram o remédio, e no repertório médico estão relatados vários remédios experimentados que apresentam determinado sintoma.



    - Como se faz esta experimentação?
    A experimentação homeopática tem regra muito rígidas que o próprio Hahnemann preconizou. Deve ser realizada em pessoa sadias, com todos os critérios e procedimentos da pesquisa homeopática.



    - Então a pesquisa é feita em pessoas?
    Sim, em experimentação controlada , mas os sintomas toxicológicos de uma substancia também pode fornecer dados para o uso do remédio. Por exemplo se ao tocarmos numa planta e sentimos muita coceira na pele, aquela planta pode, quando diluída e dinamizada tratar afecções que apresentem-se com prurido semelhante.



     



    - Como é uma substancia diluída e dinamizada?
    O medicamento homeopático para não ter toxicidade é muito diluído, mas não devemos confundir com fitoterapia, visto que no medicamento homeopático Hahnemann conseguiu ultrapassar o número de Avogrado. Não existindo mais matéria daquela substância, a atuação é energética, pois no processo de preparo da medicação há sucussões, onde o remédio vai obtendo potencias superiores.



    - Não entendi como é o remédio homeopático.
    Eles são elaborados a partir de matérias primas de várias origens:
    - animal
    -vegetal
    -mineral
    A idéia de medicar com doses mínimas, através da diluição das substancias, para evitar toxicidade das substâncias tanto na experimentação como no próprio processo de tratamento.
    Para aprimorar a atuação, Hahnemann realizou sucussões (batidas vigorosas em sentido vertical) realizadas com o frasco contendo a substancia medicamentosa diluída em solução de água e álcool. Estas sucussões vão aumentando a potencia do remédio.

    - Como são os remédios homeopáticos?
    São apresentados de várias formas. Aqui usamos mais os glóbulos e líquidos.



    - Como vão agir estes remédios?
    A como o remédio está agindo, provavelmente terá resposta não na química, mas provável que venha a ser explicado pela física quântica. Não existindo mais substancia ativa ela estará atuando como energia. Já sabemos que hora o eletro se apresenta como matéria, ora como energia. Embora nem os físicos dominem bem estas teorias, já estão colocando-as em prática de várias formas, preferimos saber usar os remédios à bombas atômicas. O eletromagnetismo já é tão bem utilizado, em vários campos, e não se conhece, ainda muito sobre eletromagnetismo. A medicina está evoluindo, não só no campo da química, mas acompanhando os progressos da física através de tratamentos da energia vital.



    CONVERSA COM OS ALUNOS

    Homeopatia – diagnóstico e tratamento




    Os sintomas em Homeopatia tem características próprias em cada indivíduo.




     




     Uma doença passa a ser uma forma de expressão da reação do paciente á uma agressão, seja ela física ou mental.




     




    Ao se correlacionar com o quadro desenvolvido em uma patogenesia (forma de pesquisa em homeopatia), usa-se esse medicamento para tratamento.




    O tratamento corresponde ao medicamento que na experimentação, em pessoas sadias, seguindo o protocolo da patogenesia, deu determinados sintomas que servirão para procurarmos os sintomas correspondentes ao apresentado pela pessoa doente.  Por isso diz-se que é o tratamento pelo semelhante.




    Cada pessoa reage ao mesmo agente agressor de forma peculiar, uma febre pode vir acompanhada de frio e no outro paciente com calor e sede. Vemos que cada organismo reage de uma maneira própria, daí dizer-se que a homeopatia é a medicina da pessoa. Para uma mesma enfermidade vamos encontrar sintomas com características de cada pessoa e o medicamento homeopático será próprio para a pessoa, não é o remédio da doença e sim do doente.  




     




    Em Homeopatia não se faz unicamente o diagnóstico clínico, pelo viés da patogenesia, se encontra um tratamento da causa da desarmonia da energia vital, que ao se harmonizar vai levar a cura. Uma pessoa em harmonia, não adoece ou, se o fator desencadeante for muito virulento, o organismo estará em mais condições de defesa.




    Por exemplo:




    Uma pessoa com lesões escamosas dos cotovelos, abaixo do olecraniano (na curva e proeminência ulnar), em alopatia, temos que saber se é psoríase ou eczema. Em homeopatia, toma-se como base a localização, o tipo de descamação – fina ou em grandes escamas; se há prurido ou não; o que agrava ou ameniza (calor, frio etc.); se ocorre alternância entre o quadro de pele com outros sintomas – digestivo, reumático ou mesmo mentais.




     É muito importante também se diagnosticar doenças concomitantes (sempre que tem a lesão de pele tem diarréia, asma ou muita ansiedade, etc. ) Obtemos os seguintes remédios: Arsenicum album, Psorinum, Antimonium crudum, Graphites, etc. todos esses medicamentos estariam indicados não só em eczema e psoríase, como em líquem e no impetigo. Mas só terá uma ação no paciente se levamos em conta os sintomas mentais e gerais daquela pessoa. Devido á característica de se levar em conta os sintomas gerais, físicos e a maneira de ser da pessoa, considera-se que é um tratamento holístico. Todas as características daquele doente devem corresponder ao que se observou na pesquisa patogenética. 




    Algumas patologias devem ser bem diagnosticadas para se escolher o tratamento adequado, por exemplo: Dor no abdome aguda que imobiliza o paciente, visto que o movimento agrava. O diagnóstico homeopático pode ser Bryonia. Mas devem-se realizar exames complementares para afastar a possibilidade de uma colelitíase, apendicite, etc. muitas vezes o quadro exige intervenção cirúrgica, ou o tratamento alopático é mais eficaz e seguro se for caso de câncer, por exemplo. O homeopata tem de ser um excelente clínico geral para discernir quando deve ser feito o tratamento, unicamente na forma homeopática ou quando se devem associar á outros meios de tratamento.




    O medicameento homeopático é escolhido comparando o sintoma do paciente com o que apareceu na patogenesia (pesquisa com substância diluída e dinamizada em pessoas sadias). Já foi dito que isso é o que caracteriza o “tratamento pelo semelhante.”




    Exemplo:




    - pés ardentes no leito, necessitando retirá-los dos lençóis = Sulphur




    - apetite saciado logo aos primeiros bocados : Lycopodium




    - língua em mapa: Natrum muriaticum




     -defecação facilitada em posição em pé: Causticum




    São os KEY NOTES – ou “sintomas chaves “ – Esses sintomas chamam a atenção para um ou um número pequeno de remédios homeopáticos. A presença desse sintoma chave deve vir seguida da confirmação por outros sinais.




     




    Certas perguntas facilitam o interrogatório:




    ü      O quê sente? E o que mais?  Correspondem as queixas e sensações.




    ü      Quando? Tempo que apresenta os sintomas e se possível colocá-los em ordem cronológica.




    ü      Como?  Condições ou modalidade de melhora ou piora. O que desencadeia o sintoma.




    ü      Onde? Localidades e tipo de tecido que está comprometido.




     




     




    O Quê? = sensações




    O sintoma principal deve ter prioridade se puder ser modalizado.




    A dor é uma queixa freqüente, e devemos tentar defini-la com precisão. No Repertório de Kent há uma variedade de 20 tipos de dor:




    - dor em pontada – Ignatia, bryonia, Kalium carbonicum...




    - dor queimante – Sulphur, Phosphorus, Causticum...




    - dor picante e queimante – Apis mellifica




    - dor numa pequena zona, que pode ser coberta pela polpa de um dedo, o paciente aponta e diz “a dor é aqui”- Kali bichromicum




    - dor camproide, em contração como cãibras – Cuprum, Colocynthis, etc




    A dor deve ser também definida como é sentida pela pessoa, por exemplo:




    - com calma: Bryonia




    - com pranto e passividade: Pulsatilla




    - com inibição ou obnubilação: Gelsemium




    - com raiva e revolta: Nux vomica, Colocynthis.




    - com ansiedade e agitação: Arsenicum album




    - com angústia aguda , medo de morrer e procurando tratamento: Aconitum, etc.




     




    O sintoma “Dor” só passa a ser sintoma homeopático quando é especificado pelas características e reações do paciente. Não existe analgésico polivalente em homeopatia, o sintoma só vai desaparecer quando o paciente é visto como um todo: sintomas mentais, gerais e as particularidades da dor (modalização do sintoma dor). O sintoma só tem valor quando temos certeza que o que o paciente está tentando descrever corresponde ao que encontramos na Matéria Médica: exemplo: dor no abdome ao nível do epigástrio com sensação de “como uma pedra “ (Bryonia), com sensação de que “pedras entrechocam-se no abdome” (Cocculus), de “ar gelado atravessando as fossas nasais (Camphora), etc.




     




    Onde? Localização




    A localização do sintoma é muito importante, visto que os medicamentos estão ligados por afinidade, tropismo, por determinados tecidos corporais. Bryonia tem tropismos por serosas, Mercurius solubilis tem tropismo por garganta; inflamação amídalas à esquerda lembra Mercurius biiodatus ou Lachesis a à direita Mercurius proto-iodatus e Lycopodium. Lycopodium, Arsenicum album e Argentum nitricum para úcera péptica, etc.        




    As doenças que evoluem da direita para esquerda lembrar de Lycopodium. Que evoluem da esquerda para direita, pode ser Lachesis e as que apresentam de um lado para o outro, pensar em Lac caninum. Pulsatilla tem, muitas vezes, sintomas unilaterais como transpiração ou a lacrimorréia (descarga não controlada de lagrimas, sem que o paciente esteja chorando).




    Os medicamentos tem tropismo por determinados tecidos, Mecurius solubilis e Cantharis são medicamentos com tropismo para mucosas; Aurum, Phytolacca e Fluoricum acidum por ossos; Secale. Vipara, lachesis e Aurum têm também tropismo vascular.




    Os medicamentos importantes ( policrestos) têm vários tropismos teciduais, por isso podem ser indicado em várias patologias. Por exemplo: Ranunculus bulbosus apresentou vários sintomas mentais, gerais e particulares na patogenesia, mas a espécie  Ranunculus ficaria, só apresentou um sintoma particular: é usado em hemorróidas externas , e o Ranunculus flammula só tem o sintoma particular de “gangrena no braço que atinge a tendões e ossos. Isso é o que diferencia os chamados “Remédios Pequenos” dos Policrestos.




        




     




    Quando? Como? – nos levam às Modalidades (modo que cada sintoma se apresenta.




    Devemos ver o que agrava ou ameniza o sintoma. Devemos lembrar que em alguns medicamentos as modalidades Gerais diferem das particulares. Por exemplo: paciente friorenta, resfria com tempo frio mas a particularidade de dor de cabeça melhora com compressas frias. Um paciente friorento que melhora com a janela aberta (mesmo com ar frio) durante uma crise de asma (Arsenicum album). Um paciente Sulphur é habitualmente termófobo (sensível a temperatura, teme frio ou calor) e pode ser o medicamento de fundo (simillimum) do paciente, portanto de interesse a longo prazo, mas em uma crise de bronquite encontramos Hepar sulphur ou Kaium carbonicum.  Essas situações ambíguas são causas se “erros” , porque o paciente melhora da bronquite mas depois volta a adoecer por não se ter encontrado o remédio de fundo. As situações de agravação são mais importantes que as modalidades de melhora.




    A modalidade pode ser fisiológica como agrava por menstruação ou fisiopatológica como desencadeada após refeição. Modalidades de posição e de movimento, como Bryonia que melhora com pressão forte e a qualquer movimento. Rhus toxicodendron agrava a dor no início do movimento. As dores em cólica de Colocynthis melhoram pela flexão forçada do tórax sobre o abdome, as de Dioscorea pela hiperextensão. O peso nas pernas de Pulsatilla desaparecem durante um passeio lento, mas, Sépia melhora numa caminhada rápida. Dulcamara piora nas mudanças do clima. As doenças agudas com indicação de Apis mellifica sobrevêm frequentemente no retorno da praia; em compensação Medhrrhinum e Tuberculinum melhoram na praia, ao ar livre de montanhas, e, às vezes, simplesmente, pela viagem.




    As modalidades psicomentais podem estar ausentes mas são muito significativas quando presentes. Uma crise de asma provocada por grande alegria em Coffea, um prurido inexplicável após humilhação impõe se pensar em Staphysagria. Cólicas violentas após raiva pode ser Colocynthis.




     




    Em homeopatia os sintomas podem ter concomitância, alterância e substituições por sintomas físicos ou mentais. Isso tornará mais fácil localizar-se o medicamento daquela pessoa. Por exemplo: em paciente atópico (alérgico) as crises de rinite são alternadas com placas vermelhas na pele, mas neste paciente os sintomas nunca ocorrem de forma concomitante. Em outro paciente sempre aparecem ao mesmo tempo. 




    A modalização deve ser feita com os termos empregados pelo paciente, e escolhemos os mais característicos daquela pessoa. Quando está com asma (ou outra doença) não que ficar só. Temos o sintoma físico e o mental daquele indivíduo na hora da “crise”.




    Um sintoma nunca aparece sozinho. Dizem que a palavra “nunca” não pode ser usada em medicina, mas podemos dizer que, geralmente, os sintomas vêm com algum outro associado, seja físico ou mental. Há pessoas que apresentam doenças graves e não dão importância ao que sente. Isto já é um sintoma, mental, homeopático.




     Um alternante pode estar mais ou menos distante, mas regularmente associado. Cefaléia que alterna com diarréia pensar em Podophillum. Eczema que desaparece quando outra manifestação física ou mental aparece corresponde a Sulphur ou Psorinum. Quando há alternância de distúrbios físicos e mentais, pensar em Actea racemosa. Uma cefaléia concomitante a amenorréia pode ser Pulsatilla ou Bryonia. Uma otite aguda concomitante com problema dentário pode ser Chamomilla. Palpitações ao curso de vômitos pode ser Lachesis ou Nux vomica.




    A investigação vai além dos sinais locais e atuais, deve levar em conta o organismo como um todo. O Sono e os sonhos são considerados como sintoma homeopático quando se repetem com freqüência.




    Muitos medicamentos têm como hábito acordar muito cedo , dentre eles Sulphur, Thuya e Nux vomica. Muitos sentem-se mal ao despertar como pulsatilla e Lachesis. Desperta sempre em determinada hora como 1 hora da madrugada , para Arsenicum album, 2 horas da madrugada para Kali carbonicum.




     Os sintomas mentais causam sérias divergências entre as escolas homeopáticas. Kent lhes atribuiu o papel predominante na escolha do medicamento. Temos que levar em conta a capacidade do homeopata de observar e entender sintomas mentais, pela sua subjetividade pode levar a interpretação errada comprometendo a escolha do medicamento. O paciente pode referir falta de segurança em si mesmo, mas temos que saber ao que está relacionada. Em uma pessoa a insegurança pode ser decorrente ao poder aquisitivo que o deixa inseguro no presente ou quanto ao seu futuro, se é por não corresponder ao padrão de beleza estabelecido pelo meio e época em que vive. Considera-se incapaz de realizar algo que pode ser importante para ele, por achar que ele é muito limitado em relação ao mundo e coisas em geral...enfim um simples sintoma – falta de confiança em si mesmo – tem conotação pessoal, e vai ter relação com a escolha do medicamento.




     Não é, necessariamente, o sintoma principal que vai definir a escolha de um remédio, um sintoma físico bem modalizado será mais importante que um mental que não se consegue uma boa modalização, que caracterize aquele indivíduo. Algumas vezes o mental é decisivo na escolha, como um adolescente asmático que atravessa a rua para não encontrar amigos = Natrum muriaticum. Mulher deprimida que surpreende a todos por organizar meticulosamente seu suicídio = Aurum. Pessoa com loquacidade irreprimível, muitas vezes maldosa = Lachesis. Apresentação de uma listagem dos sintomas feita de forma detalhada, ordenada, meticulosa = Arsenicum álbum. Carcinosinum também é uma pessoa organizada, chegando a ser “fastidioso”.




     Os sintomas mentais têm o mesmo valor que os sintomas físicos desde que, bem modalizados, sejam próprios daquela pessoa.. Ao se ter sinais físicos habituais como verrugas e os papilomas de Thuya, Nitric Acidum, etc. As secreções nasais em “tampões” mucopurulentos de Kali bicromicum, unhas manchadas de branco de Silicea, angiomas estelares de pulsatilla, língua saburrosa na base de Nux vomica, limpa de Ipeca, branca de Antimonium crudum, com um triangulo vermelho na ponta de Rhus toxicodendrum.




    Em casos crônicos, com muitos sintomas presentes, pode apresentar um medicamento para o sintoma está mais incomodando ao paciente e depois se seguem outros remédios cuja prescrição deve seguir regras rigorosas como está indicado em compêndios franceses, visto que algum remédio complementa outro, entretanto, outros, podem antidotá-los.     




     




     




     




     




    Glossário




     




     




    Diátese = predisposição de um indivíduo para determinadas doenças.




     




    Doença aguda = é a que tem curta duração indo para resolução total e completa ou evoluindo para morte.




     




    Doença crônica = o corpo não é capaz de solucionar completamente o quadro mas a noxa não é suficientemente grande para levar ao óbito. Persiste o desequilíbrio da Energia Vital, em algumas fases pode ocorrer completo desaparecimento dos sintomas mas em fases em que há uma baixa da Energia Vital os sintomas retornam com o mesmo aspecto ou com comprometimento, lento e progressivo da energia vital, com aprofundamento do quadro, havendo repercussão em órgãos mais profundos e nobres.  




     




     




    Energia Vital = Princípio organizador da harmonia do organismo, de forma a preservar a vida. É inerente a todos os seres vivos (animais e vegetais).




     




    Miasma = para Hahnemann a doença crônica tinha origem em infecções como ele as conhecia na época (1790) a sarna, a gonorreia e a sífilis. Para simplificar ele classificou todas as doenças dentro das características básicas destas 3 doenças. As que tinham semelhança com a sarna chamou de “miasma psorico ou psora”. As doenças que tinha semelhança com corrimento gonorréicos, as “cristas de galo” e todos os tumores benignos chassificou-as de sicose ou miasma sicótico. As doenças que tinha lesão, destruição celular chamou de sífilis ou miasma sifilínico. 




     




    Modalizar = descrever um sintoma de forma detalhada, próprio de cada pessoa.




     




    Noxa= fator desencadeante da doença.




     




    Patogenesia = experimentação realizada em pessoas voluntárias que estejam sadias, com substância diluída e dinamizada, observando-se preceito duplo ou triplo cego, para se obter o relato dos sinais e sintomas que começarem a aparecer no grupo que não estiver usando placebo. O diretor da pesquisa vai selecionar os principais sintomas, dando valores que vão de 3 para os sintomas que apareceram em praticamente todos os investigados, dois pontos para que apareceu em alguns e 1 ponto em poucas pessoas investigadas. O protocolo de pesquisa patogenética é muito rigoroso, sempre se realizando em pessoas para que os sintomas mentais e subjetivos sejam detalhados, como uma dor no estômago com a sensação de uma bola que sobe até a garganta. Durante o período da pesquisa as pessoas não pedem fazer comentários sobre o que sente a não ser com o que está coordenando o grupo. É imprescindível que os relatos sejam os mais fidedignos possível, já que serão os dados em que o homeopata terá como base para medicar através da Lei da Semelhança.   




     




    Os 4 “Pilares” da Homeopatia = lei dos semelhantes, dose única, patogenesia e medicamento diluído e dinamizado.




     




    Primeira prescrição = em homeopatia só se considera que ocorreu a primeira prescrição quando o medicamento administrado “mexeu” no organismo do indivíduo. O medicamento pode ser o Simillimum ou um similar a energia vital daquele ser vivo desencadeando uma reação de defesa do organismo. Ao tentar reagir ao medicamento ministrado (que funciona assim como uma doença artificial)  há alteração no quadro físico e mental da pessoa.




    Segunda prescrição = quando se obtêm a primeira prescrição o homeopata vai avaliar se aquele remédio foi o correto e se a potência está adequada. Se o medicamento estiver agindo bem não há necessidade de uma segunda prescrição. Se a potência não for a adequada vamos ministrar o mesmo remédio com outra potência. Se o medicamento não foi o correto vamos repertorizar novamente o caso para achar o medicamento certo. Para se saber se o medicamento da primeira prescrição está certo ou não temos parâmetros mentais (sensação subjetiva de Bem estar geral ou sensação subjetiva de mal estar geral), as leis de Hering e os 12 prognósticos de Kent. 




     




    Policrestos = traduzindo do grego significa “frequentemente útil”. São de ação geral age no organismo como um todo tendo desencadeado na patogenesia sintomas mentais, gerais e particulares e sua eficácia já está amplamente confirmada pelo uso clínico.




    Medicamento de ação limitada ou localizada, é o que na patogenesia teve ação localizada, limitada.




    Ao se achar o policresto correto (simillimum) vamos englobar várias síndromes clínicas, como um problema renal e faríngea pode ser tratado com Mercurius solubilis. Doença dermatológica concomitante a distúrbios digestivos e manifestação alérgicas respiratórias podem ser curadas.




     




     




    Síndrome Mínima de Valor Máximo – com poucos sintomas, mas bem modalizados, de forma a se obter as características da pessoa para compará-las aos sintomas obtidos na patogenesia, de forma a ministrar a substância mais similar possível ao quadro do doente.




     




    Sintoma Guia – para se fazer a repertorização sem a ajuda do computador, podemos tomar como “sintoma guia” um que seja muito próprio da pessoa e apresente um número razoável de remédios cerca de 7 a 20 medicamentos. Por exemplo: no Repertório de Aldo Farias o sintoma “secreção nasal que alivia ao ar livre” tem dez medicamentos. O sintoma “ secreção ao nível dos seios frontais” tem 58 remédios. Para se tomar como sintoma guia seria mais prático o primeiro, se faria á listagem dos remédios, no computador clicando F2, e ao lado colocando a pontuação de cada remédio. Depois ao se considerar a sinusite frontal, nós só iremos levar em consideração, a pontuação que apresentar nos sintomas que coincidirem com o sintoma guia. Tornara-se uma quantidade bem menor de medicamento para que, depois somados, indiquem o medicamento da pessoa.  Após se conseguir um “sintoma guia” podemos considerar outros sintomas que tenham grande número de medicamentos, porque o nosso “universo de medicamentos” estará restrito aos que foram encontrados no sintoma guia. A importância da escolha do sintoma guia é que com certeza ele realmente seja próprio, peculiar àquele doente. Como em todos os sintomas, não devemos considerar os que o paciente tem dúvida, não sendo, portanto, próprio, com certeza, da pessoa. Se o paciente não sabe dizer se é friorento ou calorento, não considerar este aspecto. No sintoma guia, este aspecto, é especialmente valoroso.          




     




     




        




    Sucussão = ação de agitar vigorosamente a substância diluída para que ela alcance maior potência. A farmacopéia homeopática preconiza 100 vezes para uma diluição de um para cem na escala centesimal hanhemanniana ( CH ).




     




    Diluiçao em CH = Centesimal hanhemanniana.  Colocar a cepa num solvente (geralmente hidroalcoolico, mas algumas substâncias são só hidrossolúveis como é o caso do Natrum sulfurucum, alguns metais exigirem ácidos, alguns precisam ser triturados ).  O obtido na tintura mãe ( TM ) que será a base para preparar o medicamento. Num primeiro frasco introduzem-se 99 partes de volume apropriado (solvente) e acrescenta-se 1 parte da TM (tintura mãe) fazendo-se 100 sucussões (esse processo é denominado sucussão ou dinamização) . a diluição assim obtida é chamada “primeira centesimal’  (1CH). Retira-se uma parte de volume desta primeira centesimal introduzindo-a num segundo frasco com 99 partes de volume do veículo. Após ter sacudido vigorosamente o frasco 100 vezes, a solução passa a ter a segunda potência centesimal hahnemanniana (2CH).